Até parece que foi ontem….
Foram três anos sempre a correr. Três anos. Estou mais velha três anos. Porque é que me sinto mais viva? Porque é que o meu sangue corre com mais força?
Muito se passou, algums momentos que nunca esquecerei, algumas pessoas que ficarão no meu coração, para o bem e para o mal.
Inspiro fundo.
A palavra faculdade aparece na minha mente e rapidamente, imagens de momentos, flashes de caras me atordoam os sentidos.
Três anos é muito tempo, penso eu, mas o meu corpo não os sentiu.
Faculdade é como uma droga: uma vez que se experimenta fica-se com vontade de la ficar para sempre, eternamente jovem, cristalizado no tempo.
Entre noitadas e muita cerveja barata, beijos e tardes de lençois revirados, lutas e mesquinhices académicas tudo se resume a uma capa preta com fitas coloridas, que, religiosamente, enfeitamos e preservamos. Três anos resumidos numa capa e num canudo. Há um sentimento de insatisfação, desses dois elementos não serem capazes de preencher a experiência que é a vida académica, de como três anos podem ser três décadas de conhecimento e amadurecimento e ao mesmo tempo três segundos de felicidade.
E agora aqui me encontro. Entre exames, com colegas já licenciados prontos para o mercado de trabalho. Querem que eu vos conte um segredo? Vou sentir falta disto tudo!
Das tardes na esplanada a beber cerveja e a fumar cigarros atrás de cigarros, da minha colega de casa, que se tornou numa das minhas mais intimas amigas e que, de uma maneira peculiar e muito própria dela alegrou o meu trémino desta etapa, do meu melhor amigo, a minha paixão de faculdade, que me ensinou tanta coisa, sendo uma delas saber ver o mundo com diferentes prismas dependendo da pessoa que estamos a analisar (pois algo aprendi, julgar os outros não é o mais correcto se queremos uma sociedade justa), dos colegas que me magoaram e que, pelo meu brio e para provar a mim mesma que sou capaz, fizeram com que lutasse pelo que acho correcto e não ir com a corrente. Vou sentir saudade dos risos, das frustações, dos “stresses” dos exames, de me baldar as aulas, de ir as aulas, de ouvir professores deambularem-se nas suas teorias da conspiração, de professores a lançarem piadas e a fazerem aulas inteiras delas, até do pessoal da cafetaria vou sentir falta!
Querem mesmo que vos diga, três anos não chega, mas dá-nos uma amostra do que é a vida e do que é viver, algo que secalhar não temos bem a noção quando saimos de um secundário. E acreditem, Viver é a melhor coisa que se pode fazer quando se tem 21 anos e se está a sair da faculdade!