Alguem disse-me uma vez que não é o caminho que faz o caminhante mas sim as escolhas que este toma.
Bem vindos a jornada de uma vida….Lá dizem: estes são os melhores anos da minha vida. Há que aproveita-los como eles são. E eles são caóticos, entediantes, emplogantes, tristes, revoltosos, divertidos cheios de amigos que te fazem rir e que te apoiam tal como tu o fazes a eles, muita bebedeira, Party,party,party,stress,stress,stress,sono,sono,sono(adeus dormir até as 10…a não ser que faltes )e muito exame e frequência que não serve para nada a não ser encher choriços, e merdas de notas mas que tu ficas contente por te-las (era isso ou abaixo disso), Profs xatos,interessantes e fdp’s…Livros e um caderno com pouca coisa escrita,tardes passadas no café,e etc…muito etc….Dias bons,dias maus mas sempre dias cheios!
Como é que é ? “Seize de day as long as you have the pills that make you smile”
Tudo começou em 2006, estava eu a procura de um curso que servisse de plataforma para o meu futuro. Como tinha de escolher algo que não fosse viver da minha “suposta” veia “crafty” (incrivel o peso materno nas consciências das filhas/os) resolvi escolher algo com um tema geral e interessante, não me iria entediar com 3 anos de uma só coisa como história, matematica, literatura. E dentro da infinita possiblidade das Humanidades e das centenas de cursos que não levariam a nada a não ser ao desemprego, escolhi três. O felizes contemplados seriam “Estudos Europeus”, “Relações Internacionais” e “Turismo, Lazer e Património” (eu disse que eram gerais!). O primeiro era no Porto,e novamente a minha querida mãe quis-me mostrar como seria o Porto no Inverno, ora vindo eu de uma cidade com praia e calor, o simples facto de pensar em 3 ou 4 longos invernos gelados punha-me doente por isso ficou fora de questão . O último era na Região Autónoma da Madeira…epah e se eu quisesse fugir com um rapazito todo engraçadito que me levasse a conhecer o mundo só com uma mochila ás costas uma guitarra e muito wild love? Não podia. Estava cercada por água e os aeroportos mantém um registo dos voos…descobriam-me num instante! Além disso se eu quero conhecer o mundo vou me por num sitio com facilidades de deslocação não numa ilha! Restava-me Relações Internacionais e esse curso as únicas “uni’s” que me interessavam era a Faculdade de Economia de Coimbra, a Universidade Católica e o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Ora Coimbra era o prestigio de estar na verdadeira cidade universitária mas não oferecia estágio e não tinha tanta fama na área como as outras duas. A Católica é ”a Católica”, bem… digamos que o único problema era o dinheiro(privada sai caro, muito caro) e eu não perceber ao certo o que eram as cadeiras ”Grandes Livros” I, II, e III. Seria a Biblia? Mas eu sou ateia! Além do mais a base era mais politica interna que externa e muito pouco internacionalista. Restava-me a Faculdade com o nome grande e pomposo, a primeira em Portugal destas matérias e com nomes de Professores muito importantes no plano dos estudos políticos como Adriano Moreira, Marques Bessa, António de Sousa Lara.O curriculo do curos parecia-me o mais sério e ofereciam estágio para além de optimas universidades para fazer Erasmu(viajar, viajar, viajar!!!). Ora estava decidida (se bem que só decidi no dia da candidatura ao ensino superior sob um sol de torreira, pergunto-me agora se não teria escolhido outra se tivesse a sombra.) ISCSP seria!
No dia das matriculas apareci lá eu, num ermo, sim porque o polo da Ajuda não era mais que três faculdades um pavilhão de desporto e um refeitório comum no meio de Monsanto ao pé das senhoras da vida, dos ciganos e dos bairros sociais onde nenhum pai queria o seu filhinho metido. Lá está, mostraram a foto da fachada pricipal do edificio, que até não tinha mau aspecto , só não mostraram as redondezas.
Bem, como ia dizendo, lá estava eu no ermo com a minha mãe e com duas amigas do meu liceu, uma, a Ana Filipa, entrou para arquitectura que é mesmo em frente á minha faculdade e a outra, a Sara, entrou em Politica Social. Mal chegamos a éntrada fomos atacadas por uma dupla de jovens de t-shirts vermelhas “Recepção ao Caloiro 2006/07” lewtras garrafais, uma rapariga e um rapaz. Eles com os seus batons baratos em riste prontos para desvirginizar a nossa pele caloira, marcaram-nos como se marcam um touro: na testa as iniciais do Instituto, na face esquerda as siglas do curso e na direita a média de entrada no ensino superior feita através das nossas notas finais do secundário mais os exames finais.A partir daí, o mundo deu daquelas voltas em que sabemos que a nossa vida vai mudar. Eu estava totalmente perdida,pessoas a ir, pessoas a voltar, cada um ia para o seu lado, cada um me perguntava para onde eu queria ir ou indicava-me um caminho sem eu nada perguntar. Pouco a pouco fui levada pela multidão entusiasta de caloiros e veteranos sorridentes, foi-me dado um envelope castanho com uma data de papelada que nem tempo de ler tive. “Escreve isto aqui”; “não precisas desse”; “já agora, de onde és?”, “Ehhh, margem sul!”, “ohhh naõ sei quantas esta é da tua zona.”,”já tá tudo pronto, leva isto ao piso X e lá orientam-te”. No fim da mahã tinha um papela dizer ”Inscriçao de Matricula” e outro a dizer “CGD-Caixa geral de Depósitos-Polo Universitário da Ajuda”.E nessa noite, em minha casa , deitei-me com o coração aos saltos ansiando por uma nova fase da minha vida que iria começar na semanas que se seguiriam…


